Monday, February 06, 2006

António "ideias fixas" Pastor

Sabeis o que é a Arte? Sabeis o que é a Poesia? Duvido. Eu pensava em tempos saber de que se tratava a arte, pensava até que aquilo que eu fazia era arte. Estava redondamente enganado. Um dia, percebi. A arte actual não passa por um conjunto de deliberações em abstracto. Percebi que não era arte a minha criação de até então, eram sim exercícios de português, eram figuras de estilo amontoadas, era uma profusão de simbolismos e de seus significados em rebuscada comunhão. Mas a arte, em verdadeira essência, deve estar disposta a ultrapassar estas pegadas de ego. A arte só o é, na concretização de seu único propósito, enquanto reiteração de dois conceitos fulcrais e inteiros: os Pardais e as Avalanches. Idealmente, a arte por excelência revolve de alguma forma estes ambos conceitos, em construções como "uma Avalanche feita de Pardais estepes abaixo" ou "e os Pardais rebolaram no ar qual Avalanches". Mas se na nossa saciedade de produzir, omitirmos estes ambos conceitos, não nos demos a um momento de integridade artística. Apenas brincámos com a mente. Desde que fiz esta descoberta, elevei-me ao estágio da arte "de facto". Toda a minha evolução produtiva culminou em verdade. Encho páginas e páginas, livros até, falando apenas sobre estas duas temáticas absolutas - os Pardais e as Avalanches.

Saturday, August 13, 2005

Afonso "dia em cheio" Costa

(A noite volta. Volta sempre, e com ela, o dia que não existiu.)
Tenho de fazer algo. A tv, a tv.. Onde está o comando?.. Debaixo da almofada. Vamos ver.. Hm hm.. Mais, o que diz este repórter.. "novo caso de.." Próximo. Próximo. Que equipas são estas? Próximo..
(Uma ou duas voltas à programação, e estamos de volta à casa de partida. Sempre de volta. O vento entra.)
Outra vez este vídeo-clip.. Cansa. Próximo. Hmmm alguma vez o vi até ao fim? Para cansar devo ter visto, suponho.. Senão de onde veio a neura? Próximo! Próximo! Próximo! Foda-se. Puta de vento. Não me deixa ver tv sossegado.. Merda de janela sempre imponderadamente aberta. (Com o fechar da janela, o vento pára de entrar.) Próximo, próximo, bahh. Esta programação, sempre monótona e cansada! Eu é que não posso ficar aqui parado. Isto não dá nada, já vi os mails.. será que entrou mais algum?
(Na mudança de divisão, um pc desligado e expectante.)
Sempre imponderadamente desligado.. Dass.. Bem, agora é esperar.. É só um pequeno momento de espera, ao fim e ao cabo, portanto não preciso de stressar. Ora, porque haveria de stressar?
(Pausa.)
Então, é pra hoje, monte de lata animada?? Ah, estava a ver que não.. Vá, vá, vá. (Os passos de sempre, a caminho da Inbox) Nada. Bem e agora?.. Hmm, mas nada outra vez? A minha pasta, a minha pasta.. Que coisas posso clicar aqui na minha pasta? É natural que não haja nada, afinal vim aqui há bocado. Que haveria de haver? Por isso também não preciso de ficar chateado, e estou? Não, não.. Onde é que tenho estado a clicar? Hmm podia ver este documento.. Outra vez? Se calhar não vale a pena, como já a sei de cor. Pois, então vou parar de scrollar, e voltar a fechá-lo. Óbvio que não fiquei chateado, não havia razões para estar chateado, o ter sido vão não interessa, só tenho é que fazer outra coisa qualquer. Posso fazer o que quiser, né. Mas antes vou só aqui espreitar se chegou algum mail...
(A noite continua. Continua sempre, qualquer que seja a divisão da casa.)
...mais esta bolacha. Épá, quase custa a mastigar. Bem, já não tenho fome. Vou parar de comer bolachas, jantei há bocado, já estou cheio. Porque hei-de estar a comer bolachas? Apeteceu-me, só isso. É natural.. Né?.. Bem,...... Só mais uma bolachita.. e vou fazer qualquer coisa.. É isso, preciso de energias, é natural. Sou uma pessoa activa, e o organismo sabe isso. Muito embora.... Vou ver o que está a dar na tv!
(A televisão retoma a sua rotina.)
Puta de comando, nunca está onde deve, já mal me controlo. Dass.... Próximo.. Epa, é que bastava estar à vista, ali na mesa, ou aqui ao pé do telefone, que merda agastante. Bom, mas que se foda. Próximo, próximo, próximo, próximo, que stress.. Esta casa precisa de ordem, as cenas assim só servem para me foder o juízo.. Mas vá.. também não é razão para tanto.. Eu até sou.. algo.. ca.. calmo.. (Um esgar difícil de decifrar vem e vai num milisegundo.) A televisão, a televisão, que é esta reportagem, bah, próximo, e os canais de música? Este, este e este.. Espera.. esqueci-me de reparar nas músicas.. Bem, que cansaço.. Talvez deva tomar mais um duche. Sempre refresca.
(A televisão apaga consigo uma notícia referente ao rigor do Inverno corrente.)
Bem, isto com este frio... Nem apetece.. Mas vamos lá, que esta dor-de-cabeça é incómoda. Um banho, preciso disto, e depois então logo se verá.. Depois vou ali ver os mails, se calhar.. Bem, já estou farto de lá ir.. Mas que mais hei.... É escusado estar a pensar nisso agora! Esta água, que nunca mais aquece... É de perder a paciência. Merda de chuveiro, merda de casa.. Mas calma, não é importante.. O que é importante? Duche, duche, duche, água a cair, água a escorrer, corpo abaixo, esfregar, esfregar mais, limpar esta camada de desconforto, é da sujidade, claro está. Tenho que esfregar mesmo muito bem, agora o champô.. Espera, deixa-me lá esfregar melhor.. Com o champô na mão não.. Espera lá.. Vou poisar o frasco.. Agora então, esfreguemos..
(A noite prossegue para lá do duche.)
Mas porque é que estou assim? Pareço desnorteado. Caralho.. Nem pareço... eu?! Que há na cozinha??? Posso comer bolachas. É isso, a lata? Ali. As bolachas.. Fds, já não há! E agora?.. Posso comer bolachas, não, não, então e o frigorífico? Bé, comer o quê daqui? Nem sei, não consigo avaliar.. Estou é com um frio antárctico. Vou masé fechar esta merda e comer uma bolacha ou assim.. Fds, não há. Largar a lata.. largar a lata das bolachas.. já não há. Preciso de sair daqui. Aqui não se fazem coisas. Eu gosto e preciso de fazer coisas, estou a andar para onde mesmo?.. Hmm vou fazer qualquer coisa.. Hmm aqui a televisão, bah, mas não. Então aonde? Isto de andar às voltas.. está-me a chegar aos nervos.... Até parece que.. Sei lá. Vou ligar a tv.. Ver o que está a dar.... Qué da puta mal fodida do comando?????
(Invariavelmente, a noite prossegue.)
Nenhum mail. Mas para que quero eu ler um mail? Fds, estou parvo? Não quero para nada, só estou a consultar, é normal. Mas porque não faço qualquer.. qualquer coisa de.... Preciso é de..... Eu devia....... Para que abri o bloco de notas? O que é que posso escrever aqui? E este leitor de mp3 não está aqui a fazer nada. Cenas a mais, uma pessoa nem se consegue concentrar. Detesto esta merda de computador. Mas calma. É normal, há coisas a mais. O importante é não stressar, e levar as coisas a cabo. Sou um homem de acção. Vou fechar estas janelas.. Estou bem.. e a ocupar o meu tempo... Bem isto já cansa, vou só espreitar se há algum mail antes de seguir para ali para o quarto. Posso ocupar o meu tempo a ler. Dizem que faz passar o tempo. Quer dizer, podia fazer algo de mais construtivo.. Eu não quero soluções, soluções?! Eu preciso de ordem, ordem nos meus objectivos!! Eu sou um homem de acção, e que sabe o que faz. Olha um mail. Vês, não é vão.. Quer dizer, eu sabia que.... Bem.... Tá bem, um mail com uma piada, mais um, são sempre iguais de qualquer forma, todos diferentes todos iguais. Mas pronto, já vi os mails. Bom, vou ali tentar ler qualquer coisa... Eu preciso é de.. Hmm.. Vou ler o quê? Que dor de cabeça...
(Segundos, minutos, horas, e a noite, consumindo-se.)
Uff.. Esta dor-de-cabeça.. já é a segunda aspirina... Mas acho que está a amainar. Nunca mais passa, ando assim há dias.. E até me tira um pouco as forças.. Nem me deixou ler.. Não é que eu..... Felizmente, acho que o sono se instalou... Vou caminhar até a cama calma.. Calmamente, uff.. Sabe bem, o sono. Quer dizer... Digo isso porque estou com sono, claro.... Quando acordar, logo me saberá bem o dia, claro. Tudo vale a pena, claro, claro. Uaahhhhhh sono... Está-se bem na cama.. Epa.. devia ir ver se fechei a porta à chave... Bem, mas que se lixe, estou com sono....
(A porta revela-se trancada.)
Trancada, claro. Como é que não me lembrei.. Mas é sempre bom confirmar claro. E é perfeitamente normal, a preocupação. Também não era o fim do mundo, claro. Claro que não.. Bem, era chato... Mas não é preciso preocupar-me. Eu não falhei, a porta estava trancada. Eu não falhei, posso acalmar-me. Não que fosse.. o fim do mundo? Uff... Tive um dia em cheio.. talvez teja com um pouquito de stress, ora mas nada de especial.. Esteve-se bem... Esteve-se ocupado e tal.. Com as coisas do dia.. Perfeitamente normais... Eu estou bem, que posso querer mais... Hmmm... Já fechei a porta?? Bolas. Ah, espera. Escuso de ir lá, que fui ainda há bocado... Vou voltar para a cama.. Fogo, realmente devo estar um pouco stressado. Mas porquê? Não fiz assim tanta... Quer dizer..... Fiz, ocupei o meu dia.. Fiz coisas.. Fui aos sítios que devia. Fui-me distraindo. Está tudo bem. Essa conversa do stress.. Mariquices... Porque carga de água é que... Ah, tenho é de ver se durmo. Vou dormir. Sono...
(Pequena pausa.)
Mas espera, eu cheguei a trancar a porta?

Friday, August 12, 2005

João "10 cafés" Saraiva

Olá, eu sou o João Saraiva. Psicótico da palavra, feliz nas faltas que cometo. Sou um futeboleiro, e que joga nos Istas. Passa, passa. Passa lá a bola, pá, antes que eu me chateie porque jogo futebol.
Atchim. Chamaste? Não, espirrei. Pois, ouvi uma saraiva de germes, e pensei que sim. Não. Sim. Pois, já entendi. Ó Saraiva, vê se mancas. Mas eu jogo futebol!
É bom, mas não se pode vender fruta, onde se aprende tudo sobre as frutas, sem ser preciso fazer nada, menos vender a fruta, é tão bom. Pode-se dar corda às frutas, e esperar que elas apodreçam, ou que vão embora, se compradas. Pode-se ter lábia! Fruta, fruta, senhor, vá lá, eu não sou um mendigo, estou só a vender fruta. Insistentemente. E não quero saber da sua irritabilidade, a não ser que me compre fruta! Olhe que é bom para o esófago, e para outros órgãos, mas eu só vendo fruta e não tenho doutoramentos, mas sei tudo sobre a fruta. Repare, esta aqui é um pêssego. E esta, um ananás! É particularmente bizarro, porque é amarelo por fora, mas depois por dentro é amarelo!! É inverosimilmente invernoso, e há a banana, limão, pêssego, ananás outra vez, eu sei, estou a enumerar e a repetir, mas é porque assim, vocês compram os ananases. Diz, pequeno petiz? Diz, mas daqui a nada não precisas de dizer porque vais poder ter uma maçã enfiada na boca. Cuidado para não te engasgares pá, vocês míudos não têm cuidados com o hipotético, nem com as peças de fruta! Vê lá. Tu vê lá. Tu tu vê lá, mas eu não canto numa boys band, só vendo fruta. OOOOOOllllllhhhhhhóóóóóó gelado!!!! Aonde? Não pá, isto é fruta, não é gelado. Eu sei que disse gelado. Mas isso foi só uma maneira de dizer fruta. É que eu sou assim, mas já chega de falar de mim. Diz-me tu coisas, fala-me do sinal que tens no umbigo, e da sua importância para as tuas conclusões sobre objectos de conclusão, como por exemplo sedimentologia, serigrafia, e fazer tricôt. Ok, desconexo, se calhar. Nem sei o que me deu. Para ser desconexo. Diabo, que desconexo. Eu que sou tão conexo, como muitos lápis ainda por afiar, todos em fila, e se estiverem colados uns aos outros. Eu sou assim, conexíssimo, só faço rimas se me pedirem. Mas sou tão conexo, que se calhar prefiro nem fazer rimas. Por isso fala-me do teu olho número dois. Hehe, é tão sorridente. Parece-se com a tua boca triste. Viva a lua! Essas coisas todas que os poetas fazem, de falar de luas, são muito boas, apesar de não venderem fruta. Mas eu sim. Se bem que nunca andei de avião. Hehe. Os pássaros e as luas. É claro que as luas estão mais longe, mas no seu plural, são tanto. Tanto, tanto, tanto. Ai, o amor à distância.. É tão bom, e raramente se vomita, a não ser que se vomite muito, usualmente, mas amar as luas também é um bocado esquisito porque aquilo é só rochedos, disse-me o Zé Lunático. Eu não sei quem tu és, mas não és o Zé Lunático, por isso não quero que mo digas, seria desconexo. Ah, mas cuidado é que se forem muitos na vertical, às tantas os lápis são fortes demais para a cola, que fica pesada demais para a sua força, e cai juntamente com alguns dos lápis. É triste quando os lápis caem, porque os bebés gatinham no chão, e nunca fizeram mal a nenhum escritor, por definição. O escritor por definição usa lápis na orelha, porque também é carpinteiro, achas que não? Mas conheces o gajo? Eu sei do que falo, e não só. Também sei tudo! Mas para além de saber tudo, e isso é que é fantástico, sei do que falo!! É ultra fixe, e é engraçado. Soberbo como os limões.
Automóveis, zzzzuuuuummmmmmmmmmmmmm zzuummmmmmmmmmmmmmmmmm
Baratas mortas, bicicletas com rodinhas, bébé a sangrar do joelho, descobre porquê, enquanto eu vou espirrar. Preciso de ir espirrar, porque espirrar aqui faz mal à localidade, mesmo em sítios com vacina contra a gripe, porque, porque, porque. Depois vou dizer que não percebo porque é que a minha alcunha é "10 cafés", não entendo, acho que vou beber mais um café, ainda não bebi os meus dez hoje, se calhar depois já percebo, e associo o meu 10º café à alcunha, mas só se calhar, entretanto, vou ali mordiscar a quina do segundo armário a contar do primeiro. Armários é fixe e bom, têem cá umas mamas, e a sua destreza é sentimental. São destros de madeira. O pinóquio era de que cor, esquerda ou direita? Ai que milagre horroroso. Ai, tirem daqui esta aparição. Ai, ai, ai! Não gosto nada de aparições porque aparecem no meio do caminho e põem-se a falar em latim sem dizer Ai nem Ui, porque os pássaros as atravessam, é muito místico isto, não percebo, acho que preciso de um café, queres comprar fruta, de que cor é esse teu olho, dói-me a parte esquerda, ai, ai, o Armando é um nome giro e chama-se Nome do Armando, é brutalmente forçado, porque é desconexo ser um nome e ter nome, é tão amacacado, coça as virilhas enquanto tem um nome, como alguns macacos, os da floresta chamam-se UhUhAhAhUH, que eu reparei nisso, eles chamam-se uns aos outros e têem nomes, como alguns nomes. Há até pessoas que têem nome, independentemente do olho ser esquerdo ou direito. Eu desarmo a novidade enquanto pisco o tal olho, não sei é qual, raios. Devia dar um nome ao nome dele, para depois o chamar e lhe perguntar quem é, mas sem complicar demasiado, ai que cansaço que isso me dá só de pensar nisso fora do duche. Que horas são? Atchim, atchim, vocês viram a Leonor Teles quando aconteceu uma coisa, já há muito tempo, já nem sei nada sobre isso, mas viram?? Com que olho, ou são cegos para com o passado? Que seca! Vamos fazer qualquer coisa gira, já sei, vou falar um bocado, é isso, vou falar. Tive uma ideia tão gira. Onde é que está o senhor com quem eu estava a falar? Ah, foi-se embora há uns 23 minutos, é verdade. Já nem me lembrava, porque não dei por isso. Diabo, que coisa, e agora vou dirijir-me a senhoras com porte airoso, e perguntarlhes coisas embaraçosas, como o número de vezes que conseguem saltar ao pé coxinho enquanto entoam canções sobre sirigaitas, essa coisa estranha de que falam os senhores das tabernas, que são aquelas pessoas que não vendem fruta, sabem? Chuta chuta! Entretanto vou desolar a calçada porque vou pensar em jardins, a calçada quando está ciumenta é feita de pedras, armada em lua, às vezes oiço sirenes e penso "Atchim!". Porque espirros também são barulhos, eu não entendo é o que é que este morcego amarelo tem a ver com sirenes e espirros, mas tenho uma suspeita comichosa, por isso vou buscar um disco de vinil, que tem gravado alguns sons. Um som é uma coisa que acontece quando se faz um som! Agora que sabem o que é um som, continuo com comichão. Tudo muda a toda a hora, é isso que é .. que é....
que é..................................
que é.............................................................................
.......................qué...